SOCORRISMO


ESCALAS E TABELAS NO TRAUMA



No trauma nós temos diversas escalas e tabelas que são utilizadas para a realização de triagens e para estabelecer o nível de gravidade das lesões nos diferentes sistemas do corpo humano. Nesta seção daremos ênfase as tabelas START e CRAMP utilizadas, respectivamente, na triagem de vítimas e para as escalas de GLASGOW e TRAUMA SCORE utilizadas para aferir o nível de comprometimento neurológico e o nível de gravidade global das lesões.


TABELA START - SIMPLE TRIAGE AND RAPID TREATMENT


A tabela START é uma tabela de uso rápido utilizada na triagem de vítimas em situações na qual o número de vítimas supera a capacidade de atendimento. O objetivo dessa tabela é rapidamente separar as vítimas graves que possuem boa chance de vida das vítimas sem lesões ou invíaveis para que as primeiras tenham prioridade de atendimento.




Na tabela o S significa SIM e o N significa NÃO. As vítimas são classificadas pela cor e dessa forma recebem a prioridade no atendimento na seguinte ordem: 1º vítimas VERMELHAS - 2º vítimas AMARELAS - 3º vítimas VERDES - 4º vítimas PRETAS.



TABELA CRAMP



A tabela CRAMP é utilizada com o mesmo objectivo da tabela START, com o diferencial que a tabela CRAMP possui parâmetros mais específicos e avalia a Circulação - Respiração - Abdome - Motor - Palavra devendo estão ser utilizada por médicos. A classificação das vítimas também é feita através de cores e a prioridade de atendimento é a mesma do método START.





Para obter a pontuação e assim classificar as vítimas segundo as cores, é necessário que se atribua pontos aos paramêtros da vítima, lembrando que sempre devemos considerar o pior parâmetro encontrado. Após atribuir a pontuação para cada item, devemos somar todos os pontos e com o total em mãos devems seguir a tabela abaixo para atribuir as cores:





ESCALA DE COMA DE GLASGOW



A Escala de Coma de Glasgow é utilizada na classificação de traumas cranio-encefálico e serve para dar parâmetros de gravidade das lesões.

O score é calculado somando as notas obtidas em cada item de acordo com a tabela da Escala de Glasgow, para cada item deve-se atribuir um único valor. Com o valor obtido pode-se verificar o gravidade da lesão.

Se o Glasgow do paciente estiver entre 14-15 considera-se gravidade leve; sendo o valor entre 9-13 a gravidade é moderada e estando o valor entre 3-8 a gravidade da lesão é alta.


Escala de Coma de Glasgow
Abertura ocular
Melhor resposta motora
Melhor resposta verbal
Espontânea
4
Obedece comandos
6
Orientado
5
Ao comando verbal
3
Localiza dor
5
Confuso
4
À dor
2
Retirada à dor
4
Palavras inapropriadas
3
Ausência
1
Flexão à dor
3
Sons incompreensíveis
2


Extensão à dor
2
Ausência
1


Ausência
1




TRAUMA SCORE



O Trauma Score é uma escala que engloba valores de sinais vitais do paciente como freqüência respiratória e pressão arterial agregando a este valor o dado obtido na Escala de Glasgow. O valor deve ser calculado, como na Escala de Glasgow, atribuindo um valor para cada item da tabela e somando todos depois.

 





  TRAUMATOLOGIA

1-  INTRODUÇÃO

2-  ABORDAGEM DA VÍTIMA DE TRAUMA

3-  LESÕES DOS TECIDOS MOLES
3.1- A PELE
3.2- SISTEMA MUSCULAR
3.3- SISTEMA ESQUELÉTICO
3.4- APARELHO URINÁRIO
3.5- APARELHO DIGESTIVO
3.6- LESÕES FECHADAS
3.6.1- Tipos de Lesões Fechadas
3.6.2- Cuidados de Emergência
3.7- LESÕES ABERTAS
3.7.1- Escoriações
3.7.2- Feridas Cortantes
3.7.3- Feridas Perfurantes
3.7.3.1- Ferimento por balas
3.7.4- Feridas Corto-Perfurantes
3.7.4.1- Amputações
3.7.4.2- Evisceração
3.7.4.3- Objectos Empalados
3.8- PENSOS E LIGADURAS
3.9- LESÕES DOS OLHOS
3.9.1- Corpos Estranhos
3.9.2- Objectos Impalados
3.9.3- Pancadas nos Olhos
3.9.4- Queimaduras
3.10- LESÕES DOS OUVIDOS
3.11- LESÕES DO NARIZ
3.12- LESÕES DO TÓRAX
3.12.1- Pneumotórax
3.12.2- Ferida Aspirante do Tórax
3.12.3- Pneumotórax de Tensão
3.12.4- Hemotórax
3.12.5- Fracturas da Grelha Costal
3.13- LESÕES ABDOMINAIS
3.14- LESÕES DOS ÓRGÃOS  GENITAIS

4-  ORTOTRAUMATOLOGIA
4.1- CLASSIFICAÇÃO DAS FRACTURAS
4.2- SINAIS E SINTOMAS DAS FRACTURAS
4.3- CUIDADOS DE EMERGÊNCIA DAS FRACTURAS
4.3.1- Regras gerais na imobilização das fracturas
4.4- LESÕES A NÍVEL DA CINTURA ESCAPULAR
4.5- FRACTURAS DO ÚMERO
4.6- LESÕES A NÍVEL DO COTOVELO
4.7- FRACTURAS DO ANTEBRAÇO
4.8- FRACTURAS DO PUNHO E DA MÃO
4.9- FRACTURAS DA BACIA
4.10- FRACTURAS DO FÉMUR
4.11- LESÕES A NÍVEL DO JOELHO
4.12- FRACTURAS DOS OSSOS DA PERNA
4.13- FRACTURAS DO PÉ

5-  NEUROTRAUMATOLOGIA
5.1- O SISTEMA NERVOSO
5.2- LESÕES CRANIO-ENCEFÁLICAS
5.2.1- Sinais e Sintomas
5.2.2- Cuidados de Emergência
5.3- LESÕES VERTEBRO-MEDULARES
5.3.1- Sinais e Sintomas
5.3.2- Cuidados de Emergência
6-  TÉCNICAS DE REMOÇÃO DAS VÍTIMAS
6.1- TIPOS DE TÉCNICAS
6.2- PROCEDIMENTOS NA UTILIZAÇÃO
6.3- TRANSPORTE DE VÍTIMAS
6.4- EXTRACÇÃO DE VÍTIMAS ENCARCERADAS
6.5- REMOÇÃO DO CAPACETE

  

OBJECTIVOS

Após o estudo deste capítulo os formandos deverão ser capazes de:

1-  Descrever as funções da pele;
2-  Enumerar as várias camadas da pele;
3-  Descrever as funções da pele;
4-  Indicar as várias funções dos músculos;
5-  Descrever os vários tipos de músculos;
6-  Classificar os ossos quanto à sua forma;
7-  Identificar as várias divisões do esqueleto;
8-  Enumerar os principais ossos do crânio;
9-  Descrever as várias regiões da coluna vertebral;
10- Descrever as partes que compõem o tórax;
11- Classificar os vários tipos de costelas;
12- Identificar os vários ossos que compõem a pélvis;
13- Descrever os principais ossos que compõem os membros superiores e os inferiores;
14- Descrever os vários tipos de articulações;
15- Descrever as funções do aparelho urinário;
16- Identificar os vários órgãos que constituem o aparelho urinário;
17- Enumerar as funções do aparelho digestivo;
18- Descrever os vários órgãos que compõem o aparelho digestivo e qual a sua localização na cavidade abdominal;
19- Enumerar os princípios de abordagem da vítima de trauma;
20- Descrever de que forma o trauma pode afectar os sinais vitais;
21- Identificar os vários tipos de lesões abertas e fechadas dos tecidos moles;
22- Descrever os cuidados de emergência nos vários tipos de lesões abertas e fechadas;
23- Enumerar as funções de um penso;
24- Indicar os cuidados de emergência nas lesões dos olhos;
25- Identificar os sinais e sintomas das lesões nos ouvidos;
26- Descrever os cuidados de emergência nas lesões dos ouvidos;
27- Classificar os traumatismos torácicos;
28- Enumerar os cuidados de emergência nos traumatismos torácicos;
29- Descrever evisceração;
30- Indicar os cuidados de emergência em situações de evisceração;
31- Enumerar os cuidados de emergência em traumatismos dos órgãos genitais;
32- Classificar os vários tipos de fracturas;
33- Identificar os sinais e sintomas de fracturas;
34- Enumerar os cuidados de emergência a aplicar nas fracturas;
35- Descrever as regras gerais da imobilização das fracturas;
36- Indicar os sinais e sintomas e cuidados de emergência, a aplicar em situações de fracturas a nível da cintura escapular, do úmero, do cotovelo, do antebraço, punho e mão, bacia, fémur, joelho, perna e pé;
37- Efectuar correctamente as imobilizações de fracturas, independentemente da sua localização;
38- Executar correctamente tracção e redução de fracturas localizadas nos ossos longos;
39- Definir Sistemas Nervoso Central, Sistema Nervoso Periférico, Sistema Nervo Somático e Sistema Nervoso Autónomo;
40- Descrever o tipo de lesões que podem ser encontradas nos traumatismos crânio-encefálicos;
41- Listar os sinais e sintomas de traumatismo crânio-encefálico;
42- Enumerar os cuidados de emergência a desenvolver com vítimas de traumatismos crânio-encefálico;
43- Identificar as situações de acidente que podem conduzir a situações de traumatismos vertebro medulares às vítimas;
44- Descrever os sinais e sintomas de traumatismo vertebro medulares;
45- Reconhecer o nível provável da fractura, consoante os sinais e sintomas que a vítima apresenta;
46- Descrever os cuidados de emergência a aplicar às vítimas de traumatismo vertebro medular;
47- Efectuar tracção e alinhamento da coluna vertebro medular;
48- Efectuar correctamente a colocação do colar cervical à vítima;
49- Descrever o número de elementos necessários para efectuar um levantamento e um rolamento;
50- Executar correctamente levantamentos e rolamentos;
51- Identificar o equipamento necessário para proceder à extracção de vítimas encarceradas e com suspeita de fractura vertebro medular;
52- Executar a remoção de capacetes.


1- INTRODUÇÃO

Um dos mecanismos mais frequentes do trauma, é provocado pela absorção do corpo de energia cinética (energia mecânica inerente aos corpos materiais em movimento). O corpo tem a capacidade de receber uma certa quantidade de energia sem sofrer danos permanentes, mas o cérebro, a espinal medula e os olhos, são especialmente vulneráveis a pequenas forças, bem como os tecidos moles, podem romper ou deformar, enquanto que os tecidos firmes como um osso resistem a pequenas a forças.
No entanto, danos provocados por grandes energias, como por exemplo acidentes rodoviários, armas de fogo e quedas, podem danificar várias estruturas e a vítima pode por vezes sofrer lesões irreversíveis.
Deste modo, é importante ter sempre presente a importância de uma avaliação da situação pormenorizada, bem como a aplicação dos cuidados necessários e tendentes à sua estabilização.
Torna-se ainda importante, referir que, se um poli traumatizado grave fôr assistido numa unidade de saúde que possua meios necessários à sua estabilização, a possibilidade de sobrevivência é muito mais elevada, tendo algumas estatísticas determinado, que esta taxa desce 1% por cada minuto perdido.
Está descrito que na primeira hora - HORA DE OURO após o acidente, a possibilidade de sobrevivência é elevada e quanto mais cedo forem aplicados os cuidados de emergência, maiores são as possibilidades de recuperação.
  
2- ABORDAGEM DA VÍTIMA DE TRAUMA

Como já foi referido anteriormente, a abordagem da vítima é fundamental para um bom prosseguimento dos cuidados de emergência a administrar à vítima. É importante recordar que o exame primário permite ao TA determinar a existência de lesões que põem a vida da vítima em perigo e como tal nunca deverá ser interrompido, excepto nas situações em que deve proceder imediatamente:
·      Desobstrução das vias aéreas;
·      Reanimação cardio-pulmonar;
·      Controle de hemorragias graves;
·      Combater o choque;
·      Situações excepcionais, nas quais a posição da vítima não permite a realização do exame primário, nestes casos deve rolar a vítima em bloco para a posição de decúbito dorsal e de seguida iniciar o exame primário.

No entanto para que a aplicação dos cuidados resulte em sucesso, é também necessário que:
·      A resposta à chamada seja eficaz;
·      O equipamento esteja sempre preparado;
·      A actuação seja rápida e correcta junto da(s) vítima(s);
·      A equipa proceda de forma coordenada, com vista a permitir uma melhor rentabilização por parte de cada elemento;
·      As etapas do exame da vítima, bem como as tarefas a executar, sempre que possível, não excedam os dez minutos;
·      Só em casos excepcionais, o exame secundário seja efectuado durante o transporte ou fora do local do acidente,
·      A comunicação com o hospital seja efectuada, sempre que possível.




Princípios a seguir na abordagem da vítima de trauma:
·     Iniciar o exame primário;
·     Alinhar: coluna vertebral - nariz - umbigo;
·     Inspeccionar e palpar cada área do corpo. Procurar situações que não sejam “normais”;
·     Inspeccionar a cabeça, pescoço e coluna cervical. Aplicar o colar cervical, se suspeitar de fractura da coluna;
·     Inspeccionar a área do tórax. Ouvir se existem ruídos ventilatórios;
·     Inspeccionar se existem lesões abdominais;
·     Inspeccionar se existem lesões da cintura pélvica;
·     Inspeccionar as extremidades:
      ú palpar pulsos;
      ú Verificar a sensibilidade e a função motora;
      ú observar a coloração da pele e a sua temperatura.
·     Verificar o alinhamento da coluna vertebral, para uma passagem segura para o plano duro ou maca coquille;
·     Avaliar e registar os sinais vitais, não só no local como durante o transporte;
·     Repetir a avaliação dos sinais vitais e o seu registo em cada 15 minutos, para uma vítima estável, e de 5 em 5 minutos para uma vítima não estabilizada.




























De um modo geral, os sinais vitais das vítimas de trauma encontram-se afectados, pelo que deve estar a tento a:

Alteração dos sinais vitais - situações de trauma

·     VENTILAÇÃO - Ventilação rápida e superficial, pode sugerir lesão da cabeça, pescoço e tórax.
·     PULSAÇÃO - Pulso rápido e fraco, pode ser indicação de choque.
·     PRESSÃO ARTERIAL - Nos traumatismo crânio-encefálicos, a pressão arterial poderá estar elevada, nomeadamente a sistólica, pelo contrário em situações de choque os valores apresentam-se habitualmente baixos.
·     TEMPERATURA - Temperaturas elevadas poderão surgir em traumatismos crânio-encefálicos graves. Temperaturas baixas surgem quando existem traumatismos medulares associados ou ainda em vítimas em choque.


















3- LESÕES DOS TECIDOS MOLES

As lesões dos tecidos moles, são aquelas que dizem respeito à pele e às camadas que lhe ficam por baixo, pelo que neste ponto iremos estudar alguns aparelhos e sistemas do corpo humano, de modo a melhor os compreendermos e localizarmos.
Estas situações são bastante frequentes em acidentes de qualquer tipo e a sua gravidade depende não só da extensão e profundidade mas também da existência de outras lesões associadas.
As lesões dos tecidos moles dividem-se em lesões abertas e lesões fechadas como posteriormente iremos desenvolver.



3.1- A PELE

A pele é o órgão que reveste o corpo e assegura as relações entre o meio interno e o meio externo, através das sensações - táctil, térmica e sensitiva.
As suas funções são múltiplas e diferentes, incluindo:
·     Protecção dos tecidos e órgãos do corpo;
·     Regulação da temperatura;
·     Excreção;
·     Sensitiva.

A pele que permite ainda:
·     A perda de calor quando o organismo está muito quente, bem como conserva a temperatura quando este está muito frio;
·     A eliminação do suor (das glândulas sudoríparas) pelos poros da pele;
·     A lubrificação dos pêlos e da superfície da pele, através da secreção das glândulas sebáceas;
·     Capta sinais como o frio, o calor e a dor, funcionando assim como receptor de tudo o que se passa a nível do corpo;
·     Mantém o organismo informado das alterações do meio interno e externo - informação que muitas vezes é vital para a sobrevivência do individuo.

A pele é composta por duas camadas: (fig. --)
·     A epiderme
·     A derme




Epiderme



Derme



Tecido subcutâneo

Pêlo
Poro

Glândula sebácea
Terminações nervosas
Glândula sudorípara
Folículo piloso
Vaso sanguíneo
Tecido adiposo











A epiderme - É a camada externa da pele e a mais delgada.
É constituída por várias camadas de células, sendo a mais superficial formada por células mortas em constante renovação - camada córnea, esta camada é mais espessa nas áreas de atrito e desgaste, como nas palmas das mãos, pés - camada basal.


A derme - É mais espessa e localiza-se abaixo da epiderme.
É constituída por tecido fibroso e elástico e é ela que alimenta a epiderme e os seus apêndices, contribuindo para a regulação da temperatura do corpo.
Por baixo da epiderme, existe uma camada de tecido adiposo - tecido subcutâneo, que lhe dá elasticidade e flexibilidade.
Na derme encontram-se:
·     As glândulas  sudoríparas;
·     As glândulas sebáceas;
·     Os folículos pilosos;
·     Vasos sanguíneos,
·     Terminações nervosas.



3.2- SISTEMA MUSCULAR

Os músculos estão interligados aos movimentos do corpo, eles permitem os movimentosfacilitam e mantém a postura do corpo (posições) e produzem calor.
Os músculos para executarem os movimentos fixam-se aos ossos, quer directamente, quer através de feixes de fibras - tendões e desta forma quando se contraem ou distendem provocam os movimentos de flexão e extensão.
Os músculos são controlados através de impulsos, enviados pelo sistema nervoso central.
Os músculos dependem ainda, do trabalho dos sistemas esquelético e cardiovascular e dos aparelhos - respiratório e digestivo.

As funções dos músculos estão associadas a diferenças do tecido muscular, as quais dizem respeito à forma, tamanho e estrutura do próprio músculo.
Assim, temos três tipos de músculos:

Músculo esquelético - É um músculo com movimentos voluntários, é controlado pelo pensamento consciente. É constituído por fibras musculares compridas e liga-se aos ossos directamente ou através de tendões e permite os movimentos.



Músculo liso - É um músculo com movimentos involuntários, a sua acção não é controlada pelo pensamento consciente. É constituído por fibras curtas, têm movimentos muito lentos e ajudam os órgãos a contraírem-se e a relaxarem-se, à excepção do coração.

Músculo cardíaco - É um músculo muito especializado, tem uma acção involuntária e rítmica. É este músculo, o “encarregado” dos movimentos do coração.



3.2- SISTEMA ESQUELÉTICO

O trabalho do sistema esquelético em conjunto com o do sistema muscular, garante a postura e os movimentos do corpo e as suas funções são as seguintes:

Funções do sistema esquelético:

·     PROTECÇÃO - Protege os órgãos vitais de lesões do exterior;
·     PRODUÇÃO - Alguns ossos produzem células, que estão implicadas na produção dos glóbulos vermelhos e dos glóbulos brancos;
·     SUPORTE - Os ossos criam uma armação, que dá a forma ao corpo e forma uma estrutura rígida que suporta os músculos e outras partes do corpo;
·     MOVIMENTO - Em conjunto com os músculos, tendões e articulações, forma uma estrutura flexível, que possibilita os movimentos do corpo.
  
Os ossos têm diferentes formas e classificam-se em:

·     CURTOS - a maior parte dos ossos curtos encontram-se nas mãos e nos pés, - por exemplo os ossos do carpo;
·     COMPRIDOS - Os ossos do antebraço, da perna, da coxa... - ex: fémur;
·     PLANOS - ex: Esterno, frontal, costelas....
·     IRREGULARES - ex: Vértebras da coluna vertebral....


O esqueleto humano divide-se em:

A - Crânio e Face
B - Coluna Vertebral
C- Tórax
D- Pélvis
E- Membros Superiores
F- Membros Inferiores



A - CRÂNIO E FACE

A cabeça é constituída por 22 ossos e o crânio é formado por 8 ossos (fig. --), todos eles planos, os restantes formam a face.
O único osso móvel da cabeça, é o maxilar inferior ou mandíbula.



B - COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral é formada por 33 ossos irregulares, que são as vértebras.
A coluna vertebral suporta a cabeça e a parte superior do corpo, fornece apoio à pélvis e protege a espinal medula.(fig. --)
As vértebras, são independentes umas das outras, mas encontram-se ligadas entre si através de ligamentos de fibras musculares, os quais lhe permitem movimentos, embora limitados.

A coluna vertebral está dividida em 5 regiões.(fig. __)

·      REGIÃO CERVICAL - Constituída por 7 vértebras cervicais;
·      REGIÃO TORÁCICA ou DORSAL - Constituída por 12 vértebras torácicas ou dorsais;
·      REGIÃO LOMBAR - Formada por 5 vértebras lombares;
·      REGIÃO SACRO-COCCÍGEA - Formada pela união do SACRO-  5 vértebras com o CÓCCIX - 4 vértebras.


C - TÓRAX

O tórax é formado por 12 pares de costelas, articuladas com as 12 vértebras torácicas ou dorsais e pelo esterno.

As primeiras 7 costelas, ligam-se directamente ao esterno através de cartilagens, os outros 3 pares seguintes, ligam-se entre si, também através de tecido cartilagíneo e posteriormente ligam-se ao esterno através de uma única cartilagem e os restantes 2 pares de costelas não se ligam ao esterno, pelo que se chamam flutuantes.

Assim, podemos classificar as costelas, em:

·      VERDADEIRAS - Os 7 pares superiores, ligados individualmente ao esterno;
·      FALSAS - Os 3 pares, ligados entre si e posteriormente ao esterno, através de uma única cartilagem;
·      FLUTUANTES - Os 2 pares inferiores, que não se ligam ao esterno.

As costelas estão ligadas à coluna torácica, com a qual se articulam e devido à acção de vários músculos, têm a possibilidade de executar movimentos, os quais permitem o aumento e a diminuição da caixa torácica, ajudando assim o mecanismo da ventilação.

O tórax, circunda e protege os pulmões e a pleura, o coração, parte da traqueia, parte do esófago e grandes vasos sanguíneos (aorta superior e a veia cava inferior). As costelas por sua vez, oferecem protecção a parte do fígado, rins, estômago e baço. (fig. --)


D - A PÉLVIS

A pélvis, é constituída por dois grandes ossos quadris, cada um do seu lado. Cada um destes ossos, é formado por três ossos fundidos entre si firmemente e são, os: (fig. --)
ILÍACOS - São ossos planos, largos e têm a forma de asa, em cada um deles encaixa o fémur (osso da coxa), formando a articulação da anca;
ISQUIOS - Formam a parte inferior e posterior da pélvis;
PÚBICOS - Formam secção média e anterior da pélvis.

Os ossos pélvicos, o sacro e o cóccix, cercam a cavidade pélvica.
A pélvis, circunda e protege a bexiga, parte do intestino grosso e os órgãos reprodutores internos.


E - MEMBROS SUPERIORES

Os membros superiores, são constituídos, cada um, por 32 ossos. (fig. --)
·      CLAVÍCULA
·      OMOPLATA
·      ÚMERO (braço)
·      RÁDIO E CÚBITO (antebraço)
·      CARPO (8 ossos, que formam o punho)
·      METACARPO (5 ossos; que formam a mão)
·      FALANGES (os 14 ossos dos dedos)

F - MEMBROS INFERIORES

Os membros inferiores, são constituídos, cada um por 30 ossos:   (fig. --)
·      FÉMUR (coxa)
·      RÓTULA (joelho)
·      TÍBIA E PERÓNIO (perna)
·      TARSO (7 ossos do tornozelo)
·      METATARSO (5 ossos do pé)
·      FALANGES (14 ossos dos dedos)

G - ARTICULAÇÕES

As articulações ou junturas, são conexões funcionais entre dois ou mais ossos e agrupam-se em duas categorias:

·      ARTICULAÇÕES SINOVIAIS - as, cujas faces articulares dos ossos estão separadas pela cavidade articular, a qual lhes permite movimentos recíprocos, estas articulações possuem sempre cápsula articular, cartilagens articulares e cavidade articular (articulações do ombro, do quadril, rádiocarpea ...);
·      As que são praticamente imóveis, cujos ossos se encontram firmemente conectados por tecido fibroso ou cartilagíneo - ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (discos intervertebrais ...) e ARTICULAÇÕES FIBROSAS (suturas do crânio ...).



3.4- APARELHO URINÁRIO

O aparelho urinário é constituído pelos RINS (2), URETERES (2), BEXIGA e URETRA. (fig. --)

Tem como função:

·      Formar e excretar a urina do corpo (cerca de 1,5 - 2 litros por dia);
·      Mantém o nível de líquidos no organismo;
·      Regula a composição química do meio interno;
·      Elimina as substâncias nocivas ao organismo.

Os rins, situam-se por detrás dos orgãos abdominais, um de cada lado da coluna vertebral, funcionam como “filtros” e retêm todas as substâncias nocivas do organismo, bem como todos os líquidos, enviando-os através dos ureteres para a bexiga, a bexiga é um órgão musculado, localizado profundamente na bacia e serve de reservatório à urina, até a expulsar enviando-a através da uretra.
  
3.5- APARELHO DIGESTIVO

A principal função do tracto digestivo é fornecer ao organismo a quantidade de líquidos, nutrientes e electrólitos suficientes para o seu funcionamento.
No entanto, para que isso seja possível, à que preparar e conduzir os alimentos até estes poderem serem absorvidos e utilizados pelas células.

De um modo geral, os alimentos, quando são ingeridos têm uma forma e uma composição química que impossibilita a sua absorção. Assim, para que a sua absorção seja possível é necessário que estes sofram alterações na sua forma e na sua composição de modo a poderem ser transportados pelo sangue e utilizados pelas células. Este processo, é conhecido como digestão dos alimentos.


aparelho digestivo é formado pelo (fig. --)

·      TUBO DIGESTIVO - Boca, Faringe, Esófago, Estômago, Intestino Delgado, Intestino Grosso
·      GLÂNDULAS DIGESTIVAS
·      Glândulas Anexas - Glândulas salivares, fígado e pâncreas
·      Glândulas Incorporadas na parede do tubo digestivo
·      Glândulas estomacais e intestinais

 TUBO DIGESTIVO:

·      A boca - é a cavidade onde é lançada a saliva produzida pelas glândulas salivares (parótidas, sublinguais, submaxilares), além da língua contém os dentes. É na boca que se inicia a digestão, por meio da mastigação e ensalivação dos alimentos, formando-se assim o bolo alimentar.

·      A faringe - fica situada a seguir à boca, comunica por um lado com as fossas nasais e por outro com o esófago.

·      O esófago - é um canal que estabelece a ligação entre a faringe e o estômago.

·      O estômago - é uma bolsa musculosa situada na parte superior da cavidade abdominal. Comunica com o esófago por uma abertura - o cárdia e com o intestino delgado pelo piloro. Nas  paredes do estômago existem numerosas glândulas - glândulas gástricas ou estomacais, que segregam o suco gástrico ou estomacal. Através de fortes movimentos peristálticos dá-se a deslocação dos alimentos no sentido do cárdia para o piloro e deste para o cárdia, o que provoca a sua mistura com o suco gástrico, facilitando a sua transformação em quimo,passando posteriormente para o intestino delgado.

·      O Intestino Delgado - é um tubo com cerca de 6 a 8 metros de comprimento, alojado na cavidade abdominal.
A primeira parte do intestino é o duodeno e a outra, dobrada várias vezes, em ansas é o jejuno e  o íleo, que comunica com o intestino grosso pela válvula íleocecal. No intestino delgado dá-se a mistura dos alimentos com  os sucos   intestinal,  pancreático  e bílis, o que facilita a sua transformação em quilo.  O qual é absorvido - passa para o sangue e para a linfa

A superfície interna do intestino delgado apresenta:
·      pregas ou válvulas coniventes;
·      saliências muito pequenas - as vilosidades intestinais, as quais apresentam uma rede de capilares sanguíneos e linfáticos, que proporcionam uma absorção mais rápida dos alimentos;
·      numerosas glândulas produtoras do suco intestinal que abrem entre as vilosidades.
A  acção dos músculos lisos da parede do intestino, cria contracções que   produzem  os  movimentos  peristálticos - que movem os alimentos através do intestino delgado.

·      O Intestino Grosso - é última parte do tubo digestivo e termina no ânus.
 Tem um  diâmetro  bastante superior ao do intestino delgado, mas é muito  mais curto  (cerca de 1,70 metro).  Inicia-se  no  cego que  comunica   com   o    intestino   delgado  pela  válvula  Íleocecal.
É  no intestino grosso   que   se  dá  a progressão e desidratação dos
resíduos que formam as fezes.
Considera-se o intestino grosso, dividido em quatro regiões:
·      cólon ascendente - um segmento ascendente à direita;
·      cólon transverso - um segmento localizado transversalmente;
·      cólon descendente - um segmento descendente, à esquerda.
·      recto - parte terminal mais estreita e que se abre para o exterior pelo ânus.


GLÂNDULAS DIGESTIVAS

As glândulas digestivas, são órgãos constituídos por células secretoras que lançam as suas secreções por canais excretores para o tubo digestivo.

·      Glândulas salivares - Parótidas, sublinguais e submaxilares, estão localizadas próximo da boca e enviam a saliva por elas produzida para a cavidade bocal.
·      Pâncreas - É uma glândula alongada situada atrás do estômago. Produz o suco pancreático que é lançado pelo canal pancreático no intestino delgado (duodeno)
·      Fígado - Fica situado à direita do diafragma, segrega a bílis que é lançada pelo canal colédoco para o intestino delgado (duodeno). Quando a digestão não está a realizar-se, este suco - a bílis, acumula-se na vesícula biliar.
·      Glândulas gástricas - Estão localizadas na parede do estômago e abrem para o estômago. Produzem o suco gástrico e o ácido clorídrico.
·      Glândulas intestinais - São numerosas e estão localizadas na parede do intestino. Produzem o suco intestinal.

3.6- LESÕES FECHADAS

As lesões fechadas são resultantes de pancadas, em que há lesão das camadas de tecido por baixo da pele. Não apresentam ruptura da superfície da pele ou das mucosas do corpo.


3.6.1- Tipos de lesões fechadas

Todas estas lesões dos tecidos moles causam:
·      EDEMA (inchaço) e podem ser acompanhadas de traumatismo de vasos sanguíneos, originando hemorragias internas:
·      EQUIMOSES (nódoas negras) - quando só há ruptura de vasos capilares
·      HEMATOMAS - quando também há ruptura de vasos de maior calibre - veias e/ou artérias.
3.6.2Cuidados de emergência:

EQUIMOSES - aplicação de frio no local, para ajudar a diminuir o edema e a dor,
HEMATOMAS - aplicação de frio no local (pelas razões apresentadas no ponto anterior) e imobilização da zona, para evitar o agravamento da hemorragia e também porque pode haver uma situação de fractura no local.



3.7- LESÕES ABERTAS

As lesões abertas, são as que apresentam ruptura da pele e dos tecidos. São vulgarmente designadas por FERIDAS e podemos classificá-las em 4 tipos:
·      ESCORIAÇÕES
·      FERIDAS CORTANTES
·      FERIDAS PERFURANTES
·      FERIDAS CORTO PERFURANTES


3.7.1- Escoriações

São lesões superficiais, geralmente conhecidas por - esfoladela ou raspão. São causadas pelo “esfregar” da pele contra uma superfície áspera.
São lesões que sangram pouco, mas são bastante dolorosas e geralmente contêm partículas de sujidade.
Este tipo de lesões são frequentes em acidentes que envolva veículos de duas rodas.
  
Cuidados de emergência:
Limpar a zona lesada com soro fisiológico e cobri-la com um penso esterilizado.
  
3.7.2- Feridas Cortantes

As feridas cortantes, são também vulgarmente designadas por  - golpes ou cortes. O nome de ferida incisa, também aplicado ao ferimento cortante, é mais restrito que o de ferida cortante, uma vez que se aplica mais às incisões praticadas por bisturi ou canivete cirúrgico, pelo aqui utilizaremos a terminologia de ferida cortante.

Os instrumentos cortantes actuam no tecido de duas formas:
·      Por pressão ou golpe;
·      Por deslizamento (movimento paralelo sobre o plano seccionado)

Cuidados de Emergência
·      Unir os bordos da ferida;
·      Aplicar um penso compressivo esterilizado, para controlar a hemorragia;
·      Prevenir o Choque.
  
3.7.3- Feridas Perfurantes

São lesões produzidas por instrumentos que actuam em profundidade, dissociando um ou mais planos de tecidos - agulhas, estiletes, picador de gelo, pregos, florete, paus aguçados, esquírolas, balas...

Os instrumentos perfurantes, lesam os tecidos por:
·      Primeiro por deslocamento lateral das fibras que os constituem;
·      Secundariamente, seccionando-os.

Se o instrumento perfurante tem a superfície lisa e um diâmetro muito reduzido, como é o caso das agulhas, as fibras retomam a posição inicial, devido à sua própria elasticidade, fazendo desaparecer o orifício de entrada e o trajecto, quase na sua totalidade.


Cuidados de Emergência
·      Controlar as hemorragias;
·      Proteger a ferida com um penso esterilizado e compressivo, se houver presença de hemorragia;
·      Imobilizar a zona abrangida se a lesão é extensa e constitui um grande traumatismo;
·      Prevenir o Choque.
·      Se houver objectos estranhos encravados no local:
·      NUNCA se devem retirar, mas sim imobilizá-los
·      NUNCA deve ser exercida pressão directa no local.


3.7.3.1- Ferimento por balas

Neste tipo de ferimento, o TA deve localizar sempre o orifício de saída do projéctil, não esquecendo que à ferida perfurante podem estar associadas possíveis fracturas e lesões do órgãos vitais que se encontravam no trajecto do projéctil.

Cuidados de emergência
São os inerentes à situação, a qual depende dos sinais e sintomas que a vítima apresenta, e dos órgãos que foram atingidos. No local da ferida deve ser colocado um penso esterilizado e controlada a hemorragia, se existir.

3.7.4- Feridas Corto Perfurantes

Estas feridas caracterizam-se, por reunirem simultaneamente, as particularidades das feridas cortantes e das feridas perfurantes.
Um instrumento corto-perfurante é habitualmente provido de ponta de um ou mais gumes. É o caso de algumas facas de cozinha, punhais, espadas ...
Tal como nos ferimentos perfurantes, há que distinguir o orifício de entrada, o canal de penetração e, por vezes o orifício de saída.

Cuidados de emergência
·      Se o objecto ainda se encontra introduzido no corpo da vítima não deve ser retirado, mas sim imobilizado por suporte estável;
·      A ferida ou feridas têm que ser cobertas com penso esterilizado;
·      Prevenir o Choque;
·      Prevenir qualquer situação de existência de hemorragias internas e/ou fracturas.
  
3.7.4.1- Amputações

As amputações são as situações nas quais uma parte do corpo fica separada do resto, quer seja por corte, arrancamento ...
  
Cuidados de emergência
·      Controlar as hemorragias;
·      Cobrir toda a zona com penso esterilizado;
·      Tratar e prevenir o Choque.

A parte amputada deve acompanhar sempre a vítima ao hospital. Deve ser mantida seca, dentro de um saco de plástico esterilizado, fechado e seguir para o hospital fria, seca e fora da vista da vítima.
  
3.7.4.2- Evisceração

É a secção, num primeiro tempo, da parede abdominal e posteriormente da exteriorização das ansas intestinais.

Cuidados de emergência

·      Cobrir com um penso esterilizado e humidificado em soro fisiológico;
·      Não tocar nas vísceras, nem tentar introduzi-las de novo na cavidade abdominal;
·      Posicionar a vítima em decúbito dorsal com o tronco ligeiramente elevado e os joelhos flectidos (ajuda a controlar a hemorragia);
·      Prevenir o Choque.


3.7.4.3- Objectos Empalados

Se um objecto, se encontra empalado e independentemente da sua localização, nunca o retire, deve sempre imobilizá-lo.
Para proceder à imobilização do objecto, pode utilizar um copo de papel ou plástico com um orifício no fundo, ou mesmo 2 rolos de ligaduras ou compressas.

Como proceder.
1.   Suporte o objecto envolvendo-o com o copo de papel ou com os rolos de ligaduras ou compressas;
2.   Se utilizar o copo, fixe-o com adesivos;
3.   Se utilizar os rolos de ligaduras ou compressas, fixe-os primeiro com ligaduras e  posteriormente com adesivos; (fig. --)
4.   Independentemente do tipo de fixação que utilizar, o objecto tem que ficar sempre bem imobilizado de forma a não oscilar durante o transporte.


RESUMO

Cuidados de emergência para as lesões abertas:


·      Controlar as hemorragias;
·      Tentar limpar a zona lesada com soro fisiológico (sem esfregar a ferida, o soro deve ser despejado sobre a ferida)
·      Colocar pensos esterilizados, sobre a ferida;
·      No caso de existirem objectos estranhos empalados, não devem ser retirados, nem deve ser exercida qualquer pressão directa no local;
·      Todos os objectos estranhos empalados devem ser imobilizados;
·      Nas amputações, se necessário, aplica-se o garrote, o qual não deve ser aliviado até ao hospital e o segmento amputado deve sempre acompanhar a vítima ao hospital e seguir nas seguintes condições: limpo, seco e frio e fora da vista da vítima.
















3.8- PENSOS E LIGADURAS

Um penso é uma protecção estéril e destina-se a cobrir as feridas.

Funções de um penso
·      Ajudar a controlar as hemorragias;
·      Proteger as feridas de mais traumatismos,
·      Evitar a entrada de microorganismos na ferida.

Os pensos seguram-se, no local da ferida, com adesivos e preferencialmente através de ligaduras.

Os pensos que habitualmente se usam são os pensos rápidos ou compressas. Estão esterilizados até à abertura e introdução de um objecto não esterilizado, como é o caso dos nossos dedos. A partir desse momento, funcionam apenas como limpos.
Existem também embalagens individuais de pensos esterilizados grandes, os quais podem ser utilizados para feridas de maior dimensão.

NOTA
Estéril, isto é, não só limpo, mas livre de quaisquer microorganismos, que podem provocar infecção. É necessário um cuidado especial ao tocar num objecto estéril, pois ao simples contacto com as mãos, ainda que limpas o objecto, deixa de estar esterilizado, passando simplesmente a estar limpo. Deve-se pois, tocar apenas nas pontas extremas de um penso estéril, e nunca no lado de dentro.







Funções das ligaduras
·      Segurar os pensos;
·      Segurar as talas;
·      Fazer compressão;
·      Imobilizar e suportar partes do corpo.
Os tipos de ligaduras que vulgarmente se usam, são as ligaduras enroladas, de gaze. Existem ainda ligaduras de bandas múltiplas.
As ligaduras devem ser aplicadas, salvo em casos especiais, suficientemente apertadas para controlar a hemorragia e manter os pensos no seu lugar, mas nunca demasiado apertadas pois dificultam a circulação.

3.9- LESÕES DOS OLHOS

A visão é um dos sentidos mais importantes e a cegueira é um problema grave.
Uma lesão pequena, tratada indevidamente, pode progredir para uma lesão grave. Por isso, a maior parte das vezes, a atitude do T.A. é não interferir, deve apenas proteger a lesão e transportar a vítima.
As lesões mais frequentes resultam de corpos estranhos que se alojam nos olhos. No entanto, em situações de acidente, os traumatismos podem ir desde contusão das pálpebras, hemorragias na cavidade ocular, laceração do globo ocular, até à saída do olho.
Sem treino especial, a actuação nestas circunstâncias pode ser catastrófica. Os cuidados de emergência devem ser de protecção e condução da vítima rapidamente a um especialista, nas melhores condições possíveis.

Exame dos olhos

Não se deve gastar demasiado tempo em minuciosas examinações. Basta olhar com atenção para avaliar a situação. Ao fazer este exame, o T.A. não deve exercer qualquer tipo de pressão no globo ocular. A mínima pressão pode levar à perda dos fluídos que existem no interior do olho.
Deve-se suspeitar sempre de ferida penetrante até que um cuidadoso exame médico diga o contrário.

São possíveis sinais de ferida penetrante:
1º- Lesões visíveis do globo ocular;
2º- Corpos estranhos ou objectos empalados ( espetados);
3º- Perda de fluidos oculares.

3.9.1- Corpos estranhos nos olhos

Os corpos estranhos, geralmente, alojam-se por baixo da pálpebra superior ou sobre a córnea e produzem irritações, o que leva a um lacrimejar abundante. As lágrimas podem, por si só, eliminar o corpo estranho.

Cuidados de emergência:
Se o corpo estranho se aloja no globo ocular, não se deve tentar retirar, pois pode provocar um agravamento sério da situação. Deve-se colocar sobre o olho um copo de papel para evitar que o penso faça compressão no globo ocular e transportar a vítima para o hospital, em decúbito dorsal.

3.9.2- Objectos Empalados

As feridas penetrantes no olho, podem ser causadas por qualquer traumatismo que possa lacerar ou fazer penetrar no globo ocular objectos ou corpos estranhos.

A actuação correcta é a seguinte:
1º- Tranquilizar a vítima, dar-lhe apoio, explicando tudo o que se está a fazer e porquê, especialmente porque se lhe tapam os olhos;
2º- Se um objecto se encontra empalado no olho, não o retirar;
a)   Se o objecto sai para fora do olho, deve suportá-lo envolvendo-o com um copo de papel com um buraco no fundo e segurar cuidadosamente com adesivo ou colocar dois rolos de ligaduras ou compressas para o suportar lateralmente; (Fig.  e   )
b)   Se o objecto não sai para fora do olho, deve cobrir o olho com um copo de papel. Não colocar compressas ou gaze ou seja o que for sobre o olho, pois podem fazer compressão; (Fig.  )
3º- Cobrir também o outro olho, o que manterá os dois olhos em repouso;
4º- Manter a vítima em decúbito dorsal;


3.9.3- Pancadas nos olhos

Cuidados de emergência
Neste tipo de traumatismo, poderá surgir o hematoma “olho negro”, que pode ser uma situação grave. Se há sinais de hemorragia interna, deficiência da visão, lesão da íris, córnea ou retina, é preciso tratamento por um especialista e a vítima deve ser conduzida ao hospital.
Se necessário colocar um copo de papel sobre o olho traumatizado, cobrir também o olho não lesado e transportar a vítima ao hospital.

3.9.4- Queimaduras nos olhos

1º- QUEIMADURAS QUÍMICAS: As queimaduras por substâncias químicas são causadas, sobretudo por ácidos (substâncias para limpeza de metais, baterias, desinfectantes) ou alcalinos (soda cáustica, potassa, amoníaco, cal, ...).

2º- QUEIMADURAS TÉRMICAS: São queimaduras provocadas pelo contacto de partículas incandescentes (limalha de ferro, metais derretidos, etc.) com os tecidos oculares.

Cuidados de emergência
A lavagem imediata com água limpa ou soro fisiológico é o cuidado mais apropriado. Esta lavagem deve ser feita até que todos os resíduos tenham desaparecido durante (10 - 15 minutos). (Fig.  )
No entanto, e graças ao reflexo do pestanejar, estas queimaduras, geralmente, limitam-se à zona das pálpebras. Mas, em casos mais graves, a face e outras partes do corpo podem ter sido também atingidas, pelo que há necessidade de prevenir e combater o choque.
A lavagem das zonas atingidas para remoção de detritos, seguida de aplicação de pensos húmidos, deverá ser feita no sentido da parte interna para a parte externa do olho.



Inclinar a cabeça de modo a que a água escorra de dentro para fora (do ângulo mais perto no nariz para o ângulo exterior).




3.10- LESÕES DOS OUVIDOS

As lesões do pavilhão auricular e do canal auditivo externo são geralmente provocadas por golpes ou pancadas directas.
As lesões do ouvido médio e interno (no interior do crânio) são causadas, geralmente, por explosões ou fractura da base do crânio.

Os sintomas gerais para as lesões de ouvido, são:
·      Equimoses nos pavilhões auriculares;
·      Escoriações ou contusões;
·      Dor;
·      Perda de fluidos;
·      Hemorragias;
·      Vertigens.



Cuidados de emergência:
·      As lesões abertas do pavilhão auricular, devem-se tratar como qualquer ferida com um penso estéril e uma ligadura. Se o pavilhão auricular estiver muito mutilado, pode ser necessário colocar um penso entre este e a cabeça e cobrindo posteriormente o pavilhão auricular com outro penso, aplicando no final uma ligadura compressiva;
·      Transportar a vítima;
·      As lesões do ouvido interno, geralmente causadas por explosões, são muito dolorosas e sangram bastante. No entanto, não se deve  controlar a hemorragia, aplica-se apenas um penso não compressivo para embeber o sangue e/ou fluídos.




3.11- LESÕES DO NARIZ

As lesões do nariz são geralmente causadas por pancadas, quedas, ... e podem dar origem à saíde de sangue pelo nariz (epistaxis), inchaço (edema) e fractura dos ossos do nariz.

Sinais e sintomas:
Os sintomas de fractura são:
·      Dor;
·      Edema e em certos casos, deformação;
·      Hemorragia.


Cuidados de emergência:
SUSPEITAR E PROCEDER COMO NOS TRAUMATISMOS CRANEANOS

Quando a hemorragia resulta de pancadas ou quedas, o T.A. deve certificar-se se existe perda do líquido céfalo-raquidiano. No caso de ele existir, deve suspeitar de lesão cerebral e a vítima deve ser transportada como aprendeu anteriormente. (Rever Neurotraumatologia Pag.   ).


EPISTAXIS ESPONTÂNEA

A epistaxis espontânea, consiste na saída de sangue pelo nariz, sem ser por traumatismo, de um modo geral para controlar esta hemorragia é suficiente exercer compressão no nariz, com os dedos polegar e indicador durante 4 a 5 minutos, mantendo a vítima sentada. Esta manobra, ajuda a coagulação do sangue e consequentemente a paragem da hemorragia.


3.12- LESÕES DO TÓRAX

As lesões do tórax podem ocorrer de diversas maneiras e envolver, não só as paredes do tórax, mas também as costelas, a pleura, os pulmões, a traqueia, os brônquios, o esófago, o diafragma, o coração e os principais vasos sanguíneos (reveja Anatomia).
Em virtude de possível envolvimento dos órgãos respiratórios e mecanismo da respiração, muitas vítimas com lesões torácicas podem morrer, a não ser que lhes sejam prestados, de imediato, os cuidados apropriados.


Os traumatismos do tórax podem classificar-se em:
·      ABERTOS - São provocados por objectos que penetram na parede torácica. (Fig.  )
·      FECHADOS - São resultantes de pancadas na parede torácica. (Fig.  )

TRAUMATISMO TORÁCICO                        TRAUMATISMO TORÁCICO
                   ABERTO                                                           FECHADO
Fig __                                                       Fig __
1.   PNEUMOTÓRAX: É um traumatismo torácico, e no qual a pleura é perfurada quer por um objecto penetrante ou pelo topo de uma ou várias costelas fracturadas, esta perfuração da pleura vai permitir a entrada de ar para a cavidade pleural (espaço entre a pleura e o pulmão). (Fig.  )
Quando esta situação ocorre, deixa de existir vácuo. Como resultado, o pulmão do lado lesado não pode expandir-se, o que leva a uma diminuição da capacidade respiratória da vítima.
PNEUMOTÓRAX
2. FERIDA ASPIRANTE DO TÓRAX: É uma lesão traumática aberta. Quando o Pneumotórax resulta de uma lesão torácica aberta, o ar entra e sai do espaço pleural durante a ventilação. Neste tipo de lesão, geralmente, ouve-se como que um “sibilar” que corresponde à entrada e saída de ar pela ferida.

Os tecidos na zona lesada podem funcionar como válvula unidireccional, em que o ar que entra do exterior para o espaço pleural não sai quando a vítima expira. Esta situação dá origem a um processo de acumulação de ar na cavidade pleural.

Cuidados de emergência
Aplicar na zona lesada, um penso não poroso fechado em janela, com um dos cantos sem adesivo (Fig.  ), de modo a não permitir a entrada de ar quando a vítima inspira, mas permitir a sua saída quando expira. (Fig.) Se a dificuldade respiratória da vítima, aumentar após a aplicação do penso, levante um pouco uma das pontas do penso quando o doente expirar, de forma a permitir a livre saída de ar acumulado no espaço pleural. Logo após a saída do ar, volte a tapar a ferida com o penso.


       













Pulmão Colapsado  












3. PNEUMOTÓRAX DE TENSÃO: O pneumotórax de tensão é consequência de uma acumulação de ar no espaço pleural. Esta situação desenvolve-se devido a uma grande entrada de ar para o espaço pleural, provocando o deslocamento do mediastino e desvio da traqueia para o lado oposto ao da lesão colapso do pulmão lesado e consequente compressão do pulmão não lesado. (Fig.  )

Quando esta situação ocorre, a respiração torna-se difícil e surgem sinais de asfixia (cianose).

4.   HEMOTÓRAX: É a situação que geralmente ocorre quando há uma lesão torácica que provoca uma hemorragia para o espaço pleural. O principal sintoma é a tosse, acompanhada ou não, de expectoração sanguinolenta. Se a hemorragia for grave, a vítima apresentará sinais de choque. (Fig.  )

                                                      HEMOTÓRAX
5.  FRACTURAS DA GRELHA COSTAL: As fracturas a nível da grelha costal, podem ser:
- Fractura simples de uma costela;
- Fracturas multiplas de uma ou mais costelas.
Quando há fracturas em mais que uma costela, denominamos esta situação de RETALHO COSTAL, o que pode ser, unilateral ou bilateral.
No retalho costal, uma porção da parede torácica deixa de se mover em simultâneo com o resto do tórax, em virtude da fractura de diversas costelas. (Fig.  )

Cuidados de emergência em traumatismos do tórax
1.   Assegurar a permeabilidade das vias aéreas;
2.   Caso haja expectoração sanguinolenta, aspirar a vítima;
3.   Administrar oxigénio;
4.   Controlar hemorragias;
5.   Tratar e prevenir o Choque;
6.   Pesquisar se existe ferida no tórax e, em caso afirmativo, considerá-la ferida aspirante, selando-a, de imediato, com um penso não poroso;
7.   Se o ferimento for de bala, procurar também o orifício de saída e tapar ambos os orifícios;
8.   No retalho costal, deve fixar-se a zona com uma almofada presa com tiras de adesivo. (Fig.  )



3.13- LESÕES ABDOMINAIS

Os traumatismos abdominais são sempre considerados graves, pois podem conduzir à morte, por hemorragia de grande vasos, choque e infecção.
Os traumatismos a nível de órgãos, como, os rins, fígado, baço e pâncreas, provocam hemorragias internas e também inflamação, devido à perda de urina, bílis e suco gástrico, para a cavidade abdominal. Os traumatismos dos órgãos ocos, como o estômago e intestinos, dão origem a uma inflamação mais tardia. A acidez do suco gástrico causa irritabilidade e, muitas vezes, dor.

Os traumatismos abdominais classificam-se em duas categorias:
·      Traumatismos abertos (feridas)- São causadas por objectos penetrantes, como balas, navalhas, facas, ...
·      Traumatismos fechados (contusões)- São originados por pancadas, nomeadamente, quedas, explosões, esmagamentos, agressões, em que não há alteração da continuidade da parede abdominal.

1.   TRAUMATISMOS ABERTOS:

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas de traumatismos abertos são bastante evidentes.
Nos traumatismos por armas de fogo, normalmente, a ferida provocada no local de saída da bala é maior. No tronco poderão existir feridas evidentes, com ou sem objectos visíveis (vidros, peças de maquinaria, etc...
Geralmente, as dores são bastante intensas podendo ser acompanhadas por náuseas e vómitos.


Os traumatismos fechados, são sempre mais difíceis de detectar, no entanto a presença de náuseas e vómitos devem alertar o T.A. para a possibilidade de lesões abdominais, especialmente se o vómito contiver sangue. Nestas situações poderão ocorrer também lesões “mascaradas” por traumatismos de outras zonas do corpo ( Ex: a dor provocada por costelas partidas, pode fazer passar despercebidas lesões do fígado ).

A rigidez e dor abdominal, à palpação, podem ajudar a os órgãos envolvidos, pelo que o T.A. deve sempre atender ao quadrante em que estes se situam.
O choque (palidez; pele fria e viscosa; pulso rápido e fraco; baixa pressão arterial), acompanha geralmente, os traumatismos abdominais.

LESÕES ABERTAS COM SAÍDA DE VÍSCERAS - EVISCERAÇÃO

Nesta situação, o T.A. deve colocar um penso esterilizado sobre a ferida,    (penso de abdómen) e fixá-lo com uma ligadura.
NUNCA DEVE, tocar com as mãos nas vísceras, nem tão pouco tentar introduzi-las na cavidade abdominal.
Nas lesões por evisceração o penso estéril, deve ser embebido em soro fisiológico.
Não deve dar nada a beber à vítima. Caso esta refira sede, poderá humedecer-lhe os lábios com uma compressa húmida em soro fisiológico ou água.
Deve transportar a vítima numa posição semi-sentada, com os joelhos flectidos, tendo sempre em atenção um possível vómito.


RESUMO: CUIDADOS DE EMERGÊNCIA NOS TRAUMATISMOS ABDOMINAIS:
1.   Suspeitar da existência do traumatismo:
                        - Exame da vítima;
                        - Dados sobre o acidente;
2.   Manter a abertura das vias aéreas.
3.   Administrar oxigénio a 3 l/min, se necessário;
4.   Aplicar pensos esterilizados (embebidos em soro fisiológico, no caso de eviscerações );
5.   A vítima deve ser transportada com a cabeça e o tórax ligeiramente elevados ( semi-sentada ) e joelhos flectidos;
6.   Avaliar e registar os sinais vitais;
7.   Manter a temperatura corporal.


3.14- LESÕES DOS ÓRGÃOS GENITAIS

Os traumatismos dos órgãos genitais podem resultar de quedas, pancadas directas e explosões. Nas crianças é muito vulgar a inserção de pequenos objectos ou ainda lesões com o fecho “eclair”, nomeadamente no sexo masculino.

Sinais e sintomas:
Dependendo da intensidade do traumatismo, os sinais e sintomas variam desde simples dor local, a hemorragias e choque.
Cuidados de emergência:
1.   Não se deve tentar retirar qualquer objecto estranho. Se a lesão é provocada por um fecho “eclair”, não tentar abrir, apenas cortar a roupa à volta;
2.   Controlar a hemorragia com um penso esterilizado compressivo;
3.   Transportar a vítima deitada em decúbito dorsal, com os joelhos flectidos.
4.   Avaliar e registar os sinais vitais
5.   Caso seja necessário, deve administrar oxigénio a 3 l/min.

  
4- ORTOTRAUMATOLOGIA


A fractura é toda e qualquer alteração da continuidade de um osso.
Habitualmente são resultado de um traumatismo directo, mas podem igualmente surgir na sequência de um traumatismo indirecto, devendo o T.A. estar alertado para as situações que mais frequentemente condicionam este tipo de fracturas.
A sua abordagem no pré-hospitalar passa pela estabilização da fractura através de imobilizações provisórias. Estas imobilizações devem ser feitas de forma correcta, pois embora normalmente as fracturas por si só não ponham em risco a vida da vítima, podem no entanto, agravar o estado do doente ao condicionarem complicações potencialmente graves (ex: embolia pulmonar, hemorragias e choque, infecção, etc.). As imobilizações provisórias também diminuírem a dor durante o transporte. Assim, pretende-se com este tema que o T.A. saiba identificar uma fractura (ou suspeita de fractura através dos sinais e sintomas) bem como aplicar os respectivos cuidados de emergência.

Numa fractura, há sempre a considerar:
- Zona de fractura
- Topos ósseos
- Lesão dos tecidos moles (músculos vários e nervos)
- Hematoma pós-fractura


4.1- CLASSIFICAÇÃO DAS FRACTURAS

As fracturas classificam-se da seguinte forma:
·      ABERTAS - São habitualmente designadas por fracturas expostas e os topos ósseos encontram-se em contacto com o exterior, o que aumenta grandemente o risco de infecção. (Fig.  )
·      COMPLICADAS POR FERIDA - São as situações em que existem feridas perto da fractura, mas que no entanto nada têm a ver com a fractura, não estando os topos ósseos em contacto com o exterior. (Fig)
·      FECHADAS - Neste caso, a pele encontra-se intacta não havendo comunicação dos topos ósseos com o exterior. (Fig.  )



4.2- SINAIS E SINTOMAS DAS FRACTURAS:

Podemos suspeitar de uma fractura no pré-hospitalar, pelos sinais e sintomas que habitualmente acompanham este tipo de lesões:
·      DOR - Localiza-se na zona de fractura e é habitualmente intensa, diminuindo muito com a tracção e imobilização da fractura. É o sintoma mais fiel e constante;
·      IMPOTÊNCIA FUNCIONAL - A mobilidade por vezes pode estar presente mas é dolorosa e muito limitada;
·      DEFORMAÇÃO - É frequente a sua existência, mas quando não está presente não exclui a hipótese de fractura, resulta da ângulação dos topos ósseos ou do encurtamento do membro;
·      CREPITAÇÃO - O movimento anormal dos topos ósseos a nível de uma fractura produz uma sensação que se pode ouvir e sentir. Por ser muito doloroso, este sinal nunca deve ser pesquisado pelo T.A.;
·      EDEMA - É resultante de uma reacção normal do organismo ao trauma. Encontramos também frequentemente um aumento de volume na zona da fractura que corresponde ao hematoma formado pela hemorragia provocada pelos topos ósseos e é tanto maior quanto maior for o diâmetro do osso;
·      EQUIMOSES E/OU HEMATOMAS - São frequentes nos traumatismos directos;
·      EXPOSIÇÃO DE TOPOS ÓSSEOS - Habitualmente significam que o traumatismo responsável pela fractura foi de grande violência.



4.3- CUIDADOS DE EMERGÊNCIA NAS FRACTURAS:

Os cuidados de emergência das fracturas no pré-hospitalar passam pela imobilização provisória, a qual deve ser o mais correcta possível não esquecendo NUNCA que:
1.   Uma fractura não imobilizada ou incorrectamente imobilizada as perdas hemorrágicas são muito maiores;
2.   A dor, sendo produzida pelo roçar dos topos ósseos nos tecidos e uns nos outros, é tanto mais intensa quanto mais incorrecta for a imobilização da fractura;
3.   As duas situações anteriores, contribuem para o agravamento do estado do doente e são muitas vezes responsáveis pela sua entrada em choque (não esquecer que numa fractura da bacia a vítima pode perder 3 litros de sangue, no fémur 1 litro e nos ossos da perna 0,5 litros).

 

REGRAS GERAIS NA IMOBILIZAÇÃO DE FRACTURAS
·      Uma fractura ou suspeita de fractura deve ser SEMPRE imobilizada;
·      Em caso de dúvida imobilizar SEMPRE;
·      Nas fracturas dos ossos longos devemos imobilizar SEMPRE os ossos acima e abaixo da fractura;
·      Independentemente da distância do local do acidente ao hospital, devemos imobilizar SEMPRE qualquer fractura;
·      Sempre que possível, traccionar e alinhar previamente a fractura antes da aplicação das talas para imobilização;
·      Em caso de fractura nas zonas articulares NÃO DEVE ser feita tracção ao membro;
·      Em fracturas localizadas nas articulações, o alinhamento só deve ser feito, se o mesmo não provocar dor à vítima;
·      Nas fracturas expostas - abertas - deve-se lavar a ferida abundantemente com soro fisiológico (3 litros), SEMPRE antes da imobilização, cobrindo a ferida ou topos ósseos com compressas embebidas em desinfectante; (BETADINE)
·      SEMPRE QUE POSSÍVEL as imobilizações devem ser feitas com talas de madeira almofadadas;
·      As talas devem ser colocadas de forma firme tendo SEMPRE em atenção o estado circulatório do membro;
·      Recorrer às talas pneumáticas ou insufláveis só em último recurso e NUNCA nas seguintes situações:
                        - Fracturas expostas;
                        - Fracturas complicadas de ferida ou queimadura;
                        - Na presença de corpos estranhos (objectos empalados);
                        - Fracturas articulares;
·      Na utilização das talas pneumáticas atender SEMPRE ao estado circulatório do membro evitando pressões elevadas;
·      Após a imobilização, o T.A. deverá ter em atenção a presença de pulsos periféricos, temperatura da pele, cor e sensibilidade na zona da fractura.





4.4- LESÕES A NÍVEL DA CINTURA ESCAPULAR

Estas resultam geralmente de um traumatismo directo, estando presentes os sinais habituais das fracturas.
São fracturas que não carecem no pré-hospitalar de grandes cuidados, bastando imobilizá-las colocando o braço ao peito passando depois uma banda sobre o tórax por forma a que não hajam rotações do membro durante o transporte.


4.5- FRACTURAS DO ÚMERO

São fracturas que carecem de atenção e muito cuidado na manipulação pré-hospitalar, uma vez que frequentemente há lesões vasculares e nervosas, pela proximidade de vasos e nervos junto ao osso.


Perante uma fractura do úmero o T.A. deve pesquisar o estado circulatório do membro, palpando o pulso radial e a sensibilidade e mobilidade do membro. Na ausência de pulso radial, deve-se fazer imediatamente tracção e alinhamento, seguida de imobilização. (Fig.  ) O nervo que mais frequentemente encontramos lesionado é o nervo radial, responsável pela grande maioria dos movimentos do membro. Esta situação, apresenta caracteristicamente uma “mão pendente”, sendo a vítima incapaz de fazer a extensão da mão.
As fracturas do úmero muito altas, devem ser imobilizadas com o braço ao longo do tronco.
  
4.6- LESÕES A NÍVEL DO COTOVELO

Resultam habitualmente de traumatismo directo sobre o cotovelo.
Para além dos sinais e sintomas habituais das fracturas, devemos pesquisar igualmente o estado circulatório do mesmo, pois as lesões a este nível podem também dar compromissos vasculares (palpar pulso radial).
A imobilização deve ser feita sem tracção, mas com o máximo de extensão possível, (se a mesma não provocar dor local muito intensa) já que a flexão associada ao edema que habitualmente se instala podem comprimir os vasos que passam a nível do cotovelo impedindo o fluxo normal de sangue.
Evitar o uso de talas insufláveis nesta zona.
  
  

4.7- FRACTURAS DO ANTEBRAÇO

Ter em atenção que os sinais e sintomas normais das fracturas, podem estar mais ou menos mascarados quando apenas um dos ossos (rádio ou cúbito) é fracturado. Neste caso, o único sintoma fiel é a dor.
As regras gerais de tratamento das fracturas, aplicam-se aqui sem excepções.




4.8- FRACTURAS DO PUNHO E MÃO

Enquanto que a nível do punho o mecanismo mais frequente de fractura é o traumatismo indirecto, a nível dos dedos é o traumatismo directo sobre estes.
A fractura do punho mais frequente, é a fractura de Coles no indivíduo idoso, em que habitualmente verificamos a existência de uma deformidade do punho “em garfo”.
Dado tratar-se de uma fractura articular, não devemos tentar reduzir (traccionar)mas sim imobilizar na posição encontrada, procurando manter a mão em posição funcional (concha), preenchendo o espaço por baixo da mão com um rolo de compressas ou outro material presente. (Fig.  )
  

  
4.9- FRACTURAS DA BACIA

Resultam habitualmente de forças de compressão por esmagamento nos traumatismos directos, ou por forças aplicadas por exemplo nos joelhos nos traumatismos indirectos (ex. acidentes de viação em que os joelhos embatem no tabellier, queda de uma altura grande e projecção para fora do veículo).
Os ossos da bacia são os mais irrigados do nosso organismo, pelo que as fracturas a este nível, podem ser graves, devido às elevadas perdas hemorrágicas que podem ocorrer (3 litros de sangue ou mais) e às lesões dos órgãos abdominais que podem estar associadas (bexiga e intestinos), assim, a sua manipulação deve ser feita com extremo cuidado pelo T.A. e NUNCA tratada de ânimo leve.

Nunca se deve exercer qualquer pressão sobre a cintura pélvica quando existe suspeita de fractura a este nível.
A imobilização destas fracturas deve ser feita em maca “Coquille” e o transporte até ao hospital o mais suave possível.

Qualquer vítima inconsciente após acidente deverá ser tratada como tendo fractura da bacia. De igual forma, deverão ser tratadas todas as vítimas de acidente, que refiram dor a este nível e aquelas cujo mecanismo de acidente faça suspeitar deste tipo de lesão.


ATENÇÃO
A técnica de rolamento não deverá ser aplicada a estas vítimas, excepto quando encontradas em decúbito ventral.



4.10- FRACTURAS DO FÉMUR

As fracturas mais frequentes a este nível, são as fracturas do colo do fémur do idoso, resultantes de pequenas quedas e as fracturas provocadas por acidentes.
O sinal típico deste tipo de fracturas é a rotação do pé para fora. (Fig.  )

A atitude a ter perante a suspeita de fractura do colo do fémur, segue as regras básicas de imobilização das fracturas: tracção, alinhamento, e imobilização que deve ser feita com talas longas até à cintura e ultrapassando o pé, por forma a manter a tracção e alinhamento do membro; NUNCA tentar sentar ou colocar de pé a vítima. (Fig.  )

As fracturas do fémur propriamente dito, são habitualmente resultantes de acidente de viação e portanto de traumatismos violentos. A sua suspeita é fácil dado que habitualmente os sinais e sintomas são exuberantes e o tratamento segue as regras básicas das fracturas, devendo as talas de madeira ser colocadas até à cintura.


4.11- LESÕES A NÍVEL DO JOELHO

Resultam habitualmente de quedas sobre o joelho, acidentes desportivos e acidentes de viação.
Neste último caso, NUNCA nos devemos esquecer de pesquisar outras fracturas associadas: fémur, colo de fémur e bacia.
A imobilização deve ser feita na posição em que o membro é encontrado se não fôr possível fazer a sua extensão. (Fig.  )

 As infecções em fracturas articulares são graves e altamente incapacitantes para o doente, pelo que, em caso de fractura exposta a nível do joelho, devemos ser ainda mais minuciosos do que o habitual, na lavagem e desinfecção da ferida.




4.12- FRACTURAS DOS OSSOS DA PERNA

Resultam habitualmente de traumatismos directos (acidentes de viação) podendo estar fracturados os dois ou um só dos ossos (tíbia ou perónio).
São as fracturas que com maior frequência encontramos expostas, dado que a tíbia (canela) se encontra imediatamente por debaixo da pele.(Fig. )

Quando ocorre fractura de um só dos ossos, os sinais e sintomas habituais das fracturas podem estar mascarados, já que o outro osso serve de tala.
A imobilização segue as regras básicas já referidas anteriormente.


4.13- FRACTURAS DO TORNOZELO

A maior dificuldade nas fracturas do tornozelo, consiste em fazer a sua distinção de um vulgar entorse uma vez que em ambas temos edema, dor e incapacidade funcional. No entanto, enquanto que na fractura a dor é intensa à palpação, das saliências ósseas, no entorse a dor é mais intensa à palpação dos tecidos moles adjacentes.
Por vezes, estas fracturas complicam-se devido a luxação da articulação com compromisso da circulação (o pé começa a ficar roxo), sendo neste caso permitido tentar alinhar o pé com o restante membro, de modo a facilitar a circulação do mesmo, se não fôr possível, deve-se imobilizar como está e transportar rapidamente para o hospital.


4.14- FRACTURAS DO PÉ

Resultam habitualmente da queda de um objecto sobre o pé, ou da queda da vítima de um local alto, neste caso, a situação mais frequente é a fractura a nível dos calcanhares).





NOTA:
Nas quedas de locais elevados, como a representada na figura, poderão ocorrer também fracturas da bacia e da coluna vertebral.





Dado que habitualmente o edema neste tipo de fracturas é grande e de instalação rápida, deve-se retirar o sapato com manobras suaves de modo a não agravar as lesões existentes. O pé deve ser mantido elevado durante o transporte e imobilizado com talas.
5- NEUROTRAUMATOLOGIA

As lesões crânio-encefálicas e vértebro-medulares, são situações graves devido à ocorrência de alterações, nomeadamente, da consciência, da sensibilidade e da mobilidade podendo mesmo conduzir à morte do indivíduo.
O tratamento incorrecto deste tipo de lesões, pode agravá-las e inclusivamente piorar o estado geral da vítima.

Uma vez que estas lesões, se  prendem com o Sistema Nervoso, iniciaremos o estudo deste ponto, pela anatomia e fisiologia deste Sistema.
  
5.1- SISTEMA NERVOSO

O Sistema Nervoso, é responsável pela maioria das funções de controle do organismo. Controla as actividades rápidas, como as contracções musculares, os fenómenos viscerais e até mesmo a intensidade de secreção de algumas glândulas. Recebe milhares de informações dos diferentes órgãos sensoriais e a seguir integra-as de forma a determinar qual a resposta a dar ao organismo.

Anatomicamente o Sistema Nervoso, está dividido em três sistemas: (fig. --)
·      Sistema Nervoso Central.
·      Sistema Nervoso Periférico.
·      Sistema Nervoso Autónomo

  
Sistema Nervoso Central, controla todas as funções básicas do organismo e dá resposta às alterações externas.


É formado pelo: (fig. --)
·      Encéfalo
·      cérebro,
·       cerebelo,
·      bolbo raquidiano.
·      Espinal medula


Sistema Nervoso Periférico, fornece uma rede de trabalho completa às fibras nervosas motoras e sensoriais, estabelecendo  a conexão entre o Sistema Nervoso Central e o resto do corpo.

O Sistema Nervoso Periférico, é formado por:
·      12 pares de nervos encefálicos (ligados ao encéfalo)
·      31 pares de nervos raquidianos (ligados à espinal medula)

Estes nervos estabelecem a ligação entre o cérebro e os órgãos, passando as informações através da espinal medula.




As mensagens enviadas do corpo para o cérebro, são transportadas pelos nervos sensoriais e as mensagens enviadas pelo cérebro para os músculos, são transportadas através dos nervos motores. Estes nervos são os responsáveis pelos movimentos voluntários (andar, agarrar objectos...).

Sistema Nervoso Autónomo, localiza-se paralelamente à espinal medula e está envolvido no controle das glândulas exócrinas, vasos sanguíneos, vísceras e órgãos.
Os nervos motores deste sistema estão ligados ao cérebro, à espinal medula, ao músculo cardíaco, glândulas, ao músculo do estômago e das  paredes dos órgãos ocos do aparelho digestivo, vasos sanguíneos periféricos, músculo esquelético e órgãos.

O Sistema Autónomo controla as funções involuntárias, incluindo:
·      Aumento ou diminuição da frequência cardíaca;
·      Constrição dos vasos sanguíneos periféricos;
·      Constrição ou dilatação dos vasos sanguíneos dos músculos esqueléticos;
·      Dilatação e contracção dos vasos sanguíneos dos órgãos abdominais;
·      Alterações do diâmetro dos brônquios;
·      Contracção e relaxamento da bexiga;
·      Dilatação e contracção das pupilas dos olhos;
·      Aumento e diminuição das secreções das glândulas salivares e dos sucos digestivos.




encéfalo está contido na caixa craniana e encontra-se envolvido por 3 membranas, que são as meninges - duramáter, aracnóidea e piamáter, entre a aracnóideia e a piamáter encontra-se um líquido que é o líquido cefalo-raquidiano.
cérebro é o grande órgão da vida - é o centro da consciência, da autoconsciência e do pensamento. Controla as funções básicas, incluindo a respiração e em parte a função cardíaca. As mensagens de todo o organismo são recebidas pelo cérebro e é ele que decide como dar as respostas, estabelecendo as relações entre o meio interno e o meio externo.

Deste modo, qualquer grande lesão a nível do cérebro, vai causar também falência a nível de outros órgãos vitais.

espinal medula encontra-se no interior da coluna vertebral, no canal raquidiano, tem cerca de 50 cms  e termina em cone entre a 2ª e 3ª vértebra lombar. Funciona como um retransmissor, entre a maior parte do corpo e o cérebro. Um grande número de mensagens do e para o cérebro, passam através da espinal medula, pelo que qualquer lesão a nível da espinal medula, pode isolar o cérebro do resto do corpo.
A espinal medula é o centro da actividade reflexa, daí que, uma lesão a este nível pode destruir a função reflexa de algumas partes do corpo.
A recuperação dos tecidos do Sistema Nervoso Central e dos nervos é limitada. Alguns destes tecidos após lesão, nunca mais recuperam a sua função. Desta forma, as situações de lesão destes órgãos, requerem uma actuação rápida e eficaz de modo a prevenir danos adicionais do cérebro, espinal medula e principais nervos do corpo.

  
6- TÉCNICAS DE REMOÇÃO DAS VÍTIMAS


É na remoção e transporte das vítimas que com frequência se inutiliza o trabalho efectuado na prestação dos primeiros socorros, o que pode levar a um aumento do número de incapacitados.
Para que este número de incapacitados físicos diminua, é essencial que se utilizem técnicas simples mas eficazes, quando bem executadas. Com este tema, pretende-se que o T.A. saiba executar correctamente qualquer uma das técnicas de remoção de sinistrados aqui representadas, por forma a minimizar o risco de aparecimento ou agravamento de qualquer lesão.

6.1- TIPOS DE TÉCNICAS

Para atingir os objectivos pretendidos temos 3 tipos de manobras:
·      O rolamento;
·      O levantamento;
·      A extracção de vítimas encarceradas;


A técnica de levantamento é a forma recomendada de remover qualquer sinistrado, por ser considerada a mais segura para a vítima.

rolamento poderá também ser utilizado em todas as situações, excepto:
FRACTURA DA CINTURA PÉLVICA

( Excepto vítimas em decúbito ventral ).
O rolamento poderá provocar ou agravar lesões nos órgãos internos da região pélvica.


EVISCERAÇÕES (saída de vísceras)
O rolamento poderá provocar uma maior saída de vísceras.

OBJECTOS EMPALADOS
O rolamento pode provocar o deslocamento do objecto espetado, agravando assim o estado da vítima.

POLITRAUMATIZADOS
Existindo a possibilidade de a vítima estar traumatizada dos lados esquerdo e direito e tendo em conta que o rolamento terá de ser executado para um dos lados, esta técnica está contra indicada, para estas situações.
Assim, nestas situações, deverá ser utilizada a técnica do levantamento.


6.2- PROCEDIMENTOS NA UTILIZAÇÃO DAS TÉCNICAS

Para efectuar um correcto Rolamento, são necessários pelo menos quatro elementos e no Levantamento - cinco elementos.
Se há suspeita de lesão da coluna, fazer sempre tracção à coluna, até à completa estabilização da mesma.
Após a estabilização e alinhamento da coluna, deve colocar-se o colar cervical e só de seguida proceder ao rolamento ou levantamento.

LEMBRE-SE QUE UMA VÍTIMA DE ACIDENTE QUE ESTÁ INCONSCIENTE DEVE SER TRATADA COMO SE TIVESSE LESÃO DA COLUNA, TRAUMATISMO CRANIO-ENCEFÁLICO E LESÃO DA BACIA.

Para fazer a abertura das vias aéreas a um acidentado nunca deve fazer a extensão da cabeça. Utilize a técnica da elevação do maxilar inferior, ou utilize o tubo de Guedel, confirmando primeiro se a cavidade oral está permeável.
Não deixe que os curiosos mexam na vítima.
Movimente-a o menos possível, evitando movimentos desnecessários.
Não esqueça que a eficácia das técnicas de emergência médica, é proporcional à coordenação entre a equipa.
O chefe de equipa, deve colocar-se à cabeça da vítima e é responsável pela tracção da coluna. Daí as ordens necessárias para um correcto levantamento (ordens precisas e curtas).
O plano duro e a maca Coquille são as talas de eleição para um bom rolamento ou levantamento. Não existindo fixadores de cabeça no plano duro, a Coquille deve ser a primeira opção.
O plano duro e a maca Coquille ou a própria maca da ambulância deverão ir sempre para junto da vítima e não o contrário.


6.3- O TRANSPORTE

O estado de uma vítima, por mais grave que seja, não justifica um transporte com excesso de velocidade, manobras bruscas ou perigosas.
O transporte deverá ser calmo e seguro, permitindo assim que a vítima receba os cuidados necessários durante o mesmo, desde o local da ocorrência até ao hospital.


6.4- EXTRACÇÃO DE VÍTIMAS ENCARCERADAS

Existem situações em que as vítimas encarceradas, só poderão ser removidas com auxilio de equipamento apropriado.
Assim, temos como equipamento auxiliar de extracção:
·      O meio plano duro;
·      O plano longo;
·      O colete de extracção.


Estes meios são eficazes quando bem utilizados.
O meio plano, o plano longo e o colete de extracção funcionam como talas para a coluna vertebral.
O manuseamento deste material, será ensinado nas sessões de práticas.


6.5- REMOÇÃO DO CAPACETE

Os capacetes são usados em diversos desportos, principalmente motorizados. (carros, motas, barcos, etc.)

O capacete deve ser SEMPRE retirado. Para isso é necessário que a técnica de remoção do capacete seja previamente BEM TREINADA pelos executantes, pois caso contrário, poderão provocar-se danos graves à vítima.
A técnica deve ser sempre executada por DOIS T.A.´s, fazendo um tracção, enquanto o outro retira o capacete.
Esta técnica será ensinada nas sessões práticas.
Se não existirem as c








Manuais e Técnicas TAS INEM

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Rolamento da vítima em decúbito ventral

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Rolamento da vítima em decúbito dorsal

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Remoção em espaços confinados - Poço

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Remoção do Capacete

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